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Fotografias da notável vila de Castelo de Vide

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Fotografias da notável vila de Castelo de Vide

Igreja de São João Baptista, Castelo de Vide

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Igreja de São João Baptista, Castelo de Vide

 

Esta igreja foi construída no séc. XIV, sem dúvida nenhuma, é esta uma das igrejas mais antigas de Castelo de Vide.
 
Sede de uma das freguesias da vila, sabe-se dela que pertenceu à Ordem de Malta e era Comenda das Freiras da mesma ordem de Estremoz que passam por ter sido as fundadoras da Igreja.
 
A Igreja de S. João está situada entre Largo C. Salgueiro Maia e o Largo João José Le Cocq.
 
È constituída por quatro volumes: nave, capela-mor, sacristia e torre sineira.
 
A nave é rectangular, o tecto é de madeira, de forma trapezoidal. A entrada principal comunica com a nave e faz-se por uma porta que está a um nível superior à plataforma exterior que se ergue a cerca de 5 m acima do nível da rua. A porta é formada por ombreiras e dintel rectos. Lateralmente enquadram-se duas pilastras que terminam em capitel sobre o qual assenta um álamo de que arranca em frontão interrompido. Acima do dintel duplo decorado rasga-se um janelão de arco abaulado, coroado por um frontão, cujo vértice superior é encimado por decoração em ramagens estilizadas, sobrepujadas por um óculo.
 
A capela-mor é rectangular e a cobertura é em abóbada de berço que arranca de uma pequena cornija.
 
O pavimento, a meio é sobre-elevado na altura de três degraus, na parede Este abre-se uma porta de acesso à torre sineira e na parede Oeste abre-se a porta de acesso à sacristia. Para Norte ergue-se o altar-mor.
 

Alçado

alcado

 

in "http://www.cm-castelo-vide.pt"

 

DOIS DOCUMENTOS PARA A HISTÓRIA DE CASTELO DE VIDE divulgados pelo Cónego Bonifácio Bernardo
Igreja de S. João (Baptista) de Castelo de Vide: (19.06.1514)


Em Abril de 1999, encontrei uma folha solta entre os documentos do Cabido da Sé de Portalegre, do tempo de D. Pedro Vaz Gavião, e que a seguir transcrevo, por linha, ressalvando eventuais deficiências de leitura, dada a dificuldade da grafia (Incluo pontuação por mim):

1 “Joham rroiz, prior de sam martynho, vjg(air)o em a comarqa

2 daquem tejo, do bj(s)pado da gu(ar)da, por ho mujto rr(everen)do em Xr(ist)o

3 padre s(enh)or dom p(edr)o, p(or) merce de d(eo)s e da santa egreja

4 de rroma b(is)po b(is)po da mesma, prjor de santa Cruz,

5 do conselho del rrej nosso s(e)n(h)or e seu capellão mor:

6 A q(ua)ntos esta mjnha carta de vjsjtaçam for mostrada

7 saude em Jehsus Xr(ist)o nosso s(e)n(h)or: Faço saber que, vjsjtan-

8 do eu a egreja de sam joham da vjlla de castello da-

9 vjde, em p(e)soa do capellam e dallgu(n)s fregueses

10 esto he o que mandej fazer na dita egreja por serviço de d(eo)s

11 e bem e honra da dita egreja: achej que ho prjor

12 nom pos a casa como lhe foy mandado p(or) o b(is)po. Man-

13 do que a ponha ate fim de Jan(ei)ro, sob pena de

14 500 r(ei)s p(ar)a a se (= Sé) e vjg(air)o e o ey por condenado nas penas. E

15 mando aos fregueses que façam da ponta da

16 escada de d(iog)o a(fons)o da parte de baixo hum fecho

17 q(ue) chegue aos degraos emtulhado e abaixo llogo

18 out(r)o e out(r)o arryba da porta do emtulho com call-

19 çada; q(ue) fique com o tavollejro ate ffim deste t(erm)o

20 sob pena de 5.000 rr(ei)s p(ar)a se e vjg(air)o; mando aos fre-

21 gueses q(ue) façam as portas da travesa do norte

22 ate natall sob pena de 3 mil rr(ei)s p(ar)a a se e vjg(air)o. Mando

23 aos ditos fregueses q(ue) acabem de allegear

24 a egreja ate natall sob pena de 2 mil rr(ei)s p(ar)a o vjg(air)o.

25 Mando ao capellam que pubrjq(u)e esta carta

26 aos fregueses a oferta e ponha esta carta

27 em caderno com as houtras sob pena de

28 escumunhão e guarde e cu(m)pra as constituições

29 do s(enh)or bispo dante em a villa de cas-

30 tello davide, sob o meu synall e sello

31 do dito s(enh)or q(ue) ante my(m) anda. XIX

32 dias de junho fernam rroiz escrivam

33 a fez de mjll e qujnhentos e quatorze

34 annos. ff. yoham

35 rroiz “
No verso, consta, à esquerda do selo assinado: “sam jº” . Por cima do mesmo selo: “pg ao sello XXX r(ei)s”; e por baixo do mesmo: “ao escrivam XXIIII r(ei)s


Comentário pessoal:


1. Julgo tratar-se do acabamento da igreja de S. João Baptista de Castelo de Vide; pelos seguintes indícios: 1º a menção dos fechos, pelo menos três; a colocação das portas na travessa norte; a calçada; a colocação do tabuleiro da igreja até Janeiro de 1515; acabem de lajear a igreja; o entulho. Se assim for, então esta igreja é construída logo no início do século XVI (1514).

2. Quem visita? O vigário, i. é. o arcipreste de (?), João Rodrigues.

3. Quem redige a acta durante a visita: Fernando Rodrigues.

4. Em que data: 19 de Junho de 1514.

5. D. Pedro. Trata-se de D. Pedro Vaz Gavião, sucessor de D. Álvaro de Chaves, no bispado da Guarda. Era capelão–mor de D. Manuel I, que o nomeara para aquele cargo, nos finais de 1496. Alexandre VI confirma a sua nomeação no início de 1497. Tomou posse do bispado em 14 de Maio de 1497. Celebrou sínodo na Guarda, pois que em 12 de Maio de 1500 encontrava-se nesta cidade, durante o qual foram aprovadas as suas segundas constituições, depois impressas, sendo já bispo da Guarda D. Jorge de Melo. Em 1507 foi nomeado por D. Manuel I Prior de Santa Cruz de Coimbra, sendo confirmado pelo Papa Júlio II. Incrementou as obras da Sé da Guarda, no que gastou enormes quantias. Mandou realizar obras no dito mosteiro de santa Cruz: túmulos de D. Afonso Henriques e de D. Sancho I, na capela mor. Morreu neste mosteiro em 13 de Agosto de 1516. A maior parte do tempo residiu na corte e no mosteiro onde faleceu.

 

Do maço 10, nº 1, folhas 27-28, arquivo do Cabido PTG, transcrevo:

 

“Posse de hum Benefficio de santa Maria da devêza de Castelo de Vide

 

Auto da posse que foi dada ao padre / Pedro allvares do benefficio da igreja / de samta Maria da devesa da villa de / Castello davide que ficou por falle- / cimento do padre andre pires que delle / foi ulltimo posuidor /

Ano do nacimemto de nosso Senhor Jesus / Xpo de mill e quinhemtos e oitemta / e sete annos aos vimte e hum dias do mês / de Agosto em há villa de Castello / davide demtro na igreja de samta Maria da / devessa em a capella mor da dita igreja / estamdo presemtes os padres frey dioguo dias / vigairo da igreja de São João da dita villa e / vigairo da vara e manoell llopes e o Licenciado / João nogueiro benefficiado na dita igreja / e antonjo llopes que serve na dita igreja / o benefficio de João roiz e martim Vaz / e outros muitos padres de missa e andre allvares / meirinho do ecclesiastico na dita villa / e estamdo todos asi jumtos peramte elles pare- / ci eu notairo imfra nomeado e o reverendo padre / pedro allvares secretario do muito illustre / senhor bispo deste bispado e lloguo por / elle dito padre pedro allvares foi dito a mjm / notairo e aos ditos padres que ho muito illustre / senhor dom Amador araiz bispo deste / bispado lhe fizera ora mercê de o afaser (?) //

 

Fª 27v
de o assemtar e comfirmar no benefficio / que ficou ora por fallecimemto do padre andre / pires furtado benefficiado que foi na dita igreja / de samta Maria por o dito benefficio ser de sua / apresemtação e comfirmação como comsta- / ria da carta de comfirmação e apresemtação / e collação que lloguo ahi apresemtou que / me requeria a mjm notairo que comforme / a ella lhe desse a posse do dito benefficio na / dita igreja que ---apo (?) fiquara do dito andre pires / que delle foi ulltimo posuidor e lloguo / eu notairo tomej em minhas mãos a dita car- / ta de comfirmação e apresemtação do dito senhor / bispo e em allta voz a llj aos ditos padres / abaixo asinados e elles diserão que não tinhão / duvjda de lhe ser dada a dita posse a quall / posse lhe eu dej pella manejra seguimte / § ho llevej ao alltar mor e lhe vesti hua / sobrepellis e lhe metj na mão callices / e missais e chaves da dita igreja e sobio / ao choro e se semtou em hua cadeira / e lleo em hu brevjario e cerou as portas / da dita igreja e abrjo e paseou pella / dita igreja pacifficamemte e tomou / em suas mãos terra e pedra e pao da / dita igreja que lhe eu notairo emtreguej / e por fazerem os padres da igreja hu / officio de defumtos elle dito padre //

 

Fª 28
pedro allvares se assemtou com elles a camtar / ho dito officio de defumtos e dise hua / llição de defumtos camtada e llevou / parte da offerta que se offereceo no dito / officio e por esta maneira eu notairo lhe dej / a dita posse do dito benefficio reall e au- / tuall e ficou comtinnuando a posse / do dito benefficio e esto todo sem comttra- / dição de pessoa allgua e hos ditos / padres muito comtemtes e allegres lhe / derão todos o por o bem e diserão que erão / comtemtes de com elle dito padre servirem / e lhe darem toda a parte que lhe couber / comforme a seu benefficio e com todo / lhe dej e o ouve por dada a dita posse / da sobredita maneira e todos asinarão / os atrás nomeados como testemunhas manoell sea / sea notairo apostollico o fiz e / me pedio estromento de posse e eu lho / dej.

 

frey Dioguo Dias
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L(icencia)do joanes nugueiro Anntº Lopes

manoell martim
lopez vaz

Amdre allvares

 

in "http://nortealentejano.blogspot.pt"